JPT9234Depois de ter visto a sua equipa ganhar por 3-0 no Estádio da Luz ao rival Benfica, Jorge Jesus fechou este sábado um triunfo global com "três secos" sobre o Benfica de Rui Vitória , com o Sporting a embalar para um rumo que ainda há uns meses, quando Jesus "morava" lá do outro lado da Segunda Circular, nem nos melhores sonhos os adeptos "leoninos" (ou o próprio Jorge Jesus) achariam possível que estivesse a ser trilhado por esta altura.

Jesus, ao dar ênfase à afirmação de que o "seu" Sporting venceu por três vezes o bicampeão, como o fez depois do jogo deste sábedo em que os leões atiraram as águias para fora do trilho da Taça de Portugal, está a recordar que foi com ele que os "encarnados" conseguiram tal desiderato, acabando por chamar a si os louros dos bons resultados do Benfica da última época, mas também os louros do percurso até aqui conseguido pelo Sporting, que tem nos jogadores os órgãos de um corpo que funciona de acordo com a voz do "cérebro", a voz daquele que pensa e determina o rumo de todo o conjunto.

De um lado, temos assim uma equipa que joga comandada a uma só voz, em que o treinador assume os êxitos e os desaires, e em que os jogadores jogam com a única necessidade de cumprir o que lhes é pedido, sem precisarem de inventar porque as estratégias de Jesus resultam quando levadas à prática, e se não resultarem será sobre o treinador que irão apontar os holofotes.

Do outro lado, uma equipa em que ainda ninguém percebeu qual é a estratégia do Rui Vitória, que começou por ser preso por ter cão mas também por não o ter, porque seria errado mexer em equipa vencedora como acabou por ser errado não lhe mexer, acabando por apresentar um conjunto com muitas vozes de comando dentro do campo. A cada jogo, Vitória tenta gritar com os jogadores, estes a gritam entre si, e todos tentam fazer o melhor mas num grupo composto por vários líderes individuais e sem uma estratégia única.

No fim, se os primeiros precisam de tocar a reunir fazem-no ao som da tal voz de comando, enquanto que entre os segundos, perante a mesma necessidade, grita o técnico, grita o capitão de equipa, grita o avançado mais exaltado, o médio mais carismático ou o jovem que é já tido como indispensável, gerando-se o barulho de tantas vozes no seio do grupo que não vinga nem convence ninguém.

Depois, é claro que as vitórias consolidam as estratégias de um lado, e desmoralizam as tropas do outro, sendo esta verdade ainda mais evidente quando os que ganham sentem que ganharam bem e de forma merecida, e os que perdem assumem, ainda que muitos o façam apenas para o seu íntimo, que o rival foi melhor, que o rival é melhor enquanto equipa e que "assim não vamos lá".

Fora das quatro linhas, enquanto que uns precisarão cada vez menos de fazer barulho, porque os resultados começam a dar uma almofada de conforto, aos outros resta acordar e recuperar o barulho perdido, sendo que até para isso é preciso uma estratégia que teima em não aparecer. Só que o barulho, aquele que resulta mesmo, faz-se de forma pensada, e não apenas em reacção ao barulho (e principalmente aos resultados) dos outros.

Acordar de repente, verificando que ser bonzinho não serve como estratégia e que é preciso jogar em todos os tabuleiros, mas verificando isso apenas e só quando, na maioria deles, ou já recebeu um xeque-mate ou está à beira disso, é de quem não tem a noção da grandeza da nau cujo o leme segura sem rumo. Depois, apontar as estratégias ditas "do brulho" e não as clarificar, como fez Rui Vitória, falando por meias palavras e ficando à espera que os adeptos entendam, é usar os mesmos princípios que há uns anos permitiram tornar célebre a frase "vocês sabem do que estou a falar", sem que o autor desta frase jamais tenha dito, de facto, de quem falava.

O autor daquela frase, aliás, está do outro lado da barricada, com muitos anos de tudo isto, e sobre quem ninguém tem dúvidas que consegue comer muitos dos seus rivais de cebolada, sem qualquer dúvida, ainda que estes não queiram ou pretendam dar outra imagem. Porém, as imagens são confirmadas, ou ao invés contrariadas, pelo resultados desportivos. Ora, os resultados no final dos jogos, com mais ou menos barulho, haja mais ou menos bonzinhos à beira das quatro linhas, tal como o algodão... os resultados não enganam.

JorgeReis

editorial: Jorge Reis

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