Raquel Tavares cantou e ensinou normas de Fado

Raquel Tavares cantou e ensinou normas de Fado

A noite de Raquel Tavares nos Grandes Concertos do Casino Estoril foi transformada num divertido workshop sobre como ver (e ouvir) Fado

Raquel-Tavares 0859Quem esteve no Lounge D do Casino Estoril na última quinta-feira, 20 de Julho, mais do que acompanhar uma excelente noite de fado a cargo de Raquel Tavares, pôde acompanhar um verdadeiro curso de fado , não no âmbito do canto do mesmo, porque sobre isso Raquel tem uma arte que é de quem canta e não se passa simplesmente assim de qualquer modo, mas basicamente sobre normas e regras para ver e ouir um concerto de fado.

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Afinal, no que diz respeito ao fado, já não chega aquela máxima segundo a qual se deverá fazer silêncio porque se vai cantar o fado, isto porque mais do que silêncio é necessário ter uma atitude própria bem como uma disponibilidade para aplaudir os fadistas nos momentos certos, interagindo de forma correcta com quem canta. Raquel Tavares explicou tudo isso, começando mesmo por obrigar o público a evidenciar algum civismo, fazendo mesmo sentar um grupo de pessoas que, numa zona perto das mesas, insistia em se manter em pé impedindo que quem estava mais atrás pudesse acompanhar o espectáculo.

Depois de de chegar ao palco, e quando os músicos já dedilhavam os acordes do primeiro tema, Raquel Tavares obrigou a que tudo parasse até que o público se sentasse para que se permitissem condições de modo a que todos pudessem acompanhar o seu espectáculo. Conseguidos os seus intentos, Raquel pôde então “rebobinar” e voltar ao início do que acabou por ser uma excelente noite de fado no Casino do Estoril só ao alcance de predestinados como o é Raquel Tavares.

“Eu já não sei” permitiu a Raquel começar a dar conta daquilo que sabe, apresentando-se como uma fadista já com enorme traquejo na liderança das operações em palco. “Sombras da Madrugada”, mas também “Gostar de quem gosta” e “Não me esperes de volta”, estes temas retirados do seu mais recente disco, permitiram os primeiros temas de Raquel em palco, avançando a prestação da fadista para um tema do cancioneiro tradicional “Limão”. Por esta altura, Raquel Tavares, a fadista, não coibiu de agarrar as baquetas da bateria para definir o compasso através do qual o público a acompanhou no cantar do refrão deste tema.

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Por esta altura, Raquel já tinha o público na mão, dialogando, gracejando, e lembrando as primeiras vezes em que também ela visitou o Casino Estoril, então para acompanhar Beatriz da Conceição, um nome ímpar do fado que recordou com alguma emoção, lembrando o seu feitio peculiar, a Dona Bia a quem Raquel Tavares dedicou o seu último disco e a quem dedica sempre um momento de memória em todos os seus concertos. Depois de recordar o gosto que Dona Bia tinha pelo jogo no Casino, e como a própria Raquel acabou por beneficiar da “sorte de principante” na primeira vez em que acompanhou Beatriz da Conceição numa incursão pela banca francesa, houve que voltar ao fado, com Raquel Tavares a interpretar “Meu Corpo”, “Deste-me um beijo e vivi” e “Reza por Mim Lisboa”, três temas que eram todos eles interpretados por Beatriz da Conceição.

E se a referência à Dona Bia é “obrigatória” nos espectáculos de Raquel Tavares, outros nomes foram igualmente recordados, como Fernanda Maria com o fado “A Candeia” e Fernando Mauricio com o Fado Anadia. Sempre bem disposta, com um enorme sorriso a contagiar o público, Raquel Tavares lá foi prosseguindo o workshop em que a noite já se tinha transformado, agora ensinando os momentos certos para algumas “buchas” a meter no momento certo, como o conhecidíssimo “Ah fadista”, que pode e deve aparecer no momento certo ao invés das palmas. Afinal, como ficou claro das explicações de Raquel, “numa casa de fado não se bate palmas”.

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Com André Dias na guitarra portuguesa, Bernardo Viana na viola de Fado, Fred Ferreira na bateria — Raquel Tavares fez questão de destacar a presença deste instrumento num concerto de fado, frisando ainda ser totalmente errado considerar o fado como algo triste — e Yami no baixo, ele que teve ainda oportunidade de receber os parabéns de todo o público pois celebrava naquela noite mais um aniversário, a noite de fado chegou ao final com os derradeiros temas, nomeadamente “Marcha de Alfama”, “Meu amor de longe” e “Rapaz da Camisola Verde”.

Bem disposto, acatando os puxões de orelhas que aqui e ali levou dados com meiguice por Raquel Tavares, o público pôde deixar o espaço do Lounge D do Casino do Estoril com um enorme sorriso de quem tinha acabado de ver um espectáculo que fez justiça ao nome deste programa... os Grandes Concertos do Casino Estoril.

Será bom recordar que este programa agendado para o amplo espaço do Lounge D, prossegue às quintas-feiras a partir das 23 horas, até ao próximo dia 10 de Agosto, ainda com o seguinte alinhamento...

- 27 de Julho: Paulo Gonzo
- 03 de Agosto: Orelha Negra
- 10 de Agosto: The Gift

reportagem: Jorge Reis
fotos: Casino Estoril

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