Foo Fighters brilharam no dia em que o Rock reinou

Foo Fighters brilharam no dia em que o Rock reinou

No segundo dia do NOS Alive elevaram-se os decibéis, permitiu-se alguma distorção no som e ditaram-se leis: Rock rules!

NOSAlive-0220-FooFightersPorque é praticamente uma regra, embora sem haver nada que o obrigue, haver um dos dias de um grande festival dedicado ao rock mais pesado, o NOS Alive adoptou essa lei e o dia do rock aí está. No segundo dia do festival do Passeio Marítimo de Algés, e no que à programação do palco principal disse respeito, as bandas alinhadas para entrarem em cena prometiam rock “à séria”, com os Foo Fighters como cabeças-de-cartaz a encerrar uma noite em que outros nomes "pesados" passaram pelo NOS Stage.

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No dia em que se aguardou com paciência a hora de ouvir Foo Fighters, o alinhamento do Palco NOS começou no entanto em português, com Tiago Bettencourt a entrar em cena por volta das 18h00. O único nome português no palco principal deste segundo dia do NOS Alive mostrou-se cheio de energia e nem mesmo um problema na guitarra impediu a boa prestação do antigo vocalista dos Toranja. Quanto ao problema, ele foi rapidamente ultrapassado com a ajuda do Alberto, o técnico que virou também estrela desta actuação ao permitir que Tiago Bettencourt pudesse avançar com o tema “Maria”.

"Se me deixasses ser”, o primeiro single do álbum que irá ser lançado em Setembro, foi incontornável no alinhamento, tal como “Partimos a Pedra” ou ainda os bem conhecidos “Laços” e “Carta”, cantados pelo público que aprendeu a letra de ambos ainda com os Toranja. No final houve ainda tempo para uma “Morena” em placo, não nenhuma mulher mas o tema com que Tiago Bettencourt encerrou a sua passagem pelo NOS Alive. O nome seguinte estava já a postos para dar continuidade à programação para o Palco NOS e o espectáculo tinha que continuar, o que foi possível agora com os Courteeners, a banda de Manchester que fez questão de dar conta da sua proveniência.

Liam Fray, o líder desta banda britânica, na apresentação da banda ao público no recinto do NOS Alive que por aquela altura se distribuíam entre as várias actuações em curso nos demais palcos do festival, dando pouco calor aos Courteeners, referiu a cidade de Manchester como a origem da banda acrescentando ser aquela cidade parte integrante do Reino Unido e este ainda parte integrante da Europa, pelo menos enquanto o Brexit não tiver efeitos práticos: “Somos os Courteeners, de Manchester, Reino Unido, que a meu ver, é parte da Europa.”

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Quem não deixou nenhum indicador sobre os seus sentimentos pelo Brexit foi a banda que subiu logo de seguida ao palco principal no Passeio Marítimo de Algés para esta 11ª edição do NOS Alive, igualmente britânica, os The Cult, banda de hard rock formada em 1983 e que trouxe ao NOS Alive um concerto de memórias, com os seus maiores êxitos a regressarem à ribalta.

“Love” e “Electric” foram temas que integraram o alinhamento que permitiu que o público acordasse quando os The Cult avançaram para “She Sells Sanctuary”. Com uma sonoridade distinta da que viria a ser permitida pela bandas que lhes seguiram, nomeadamente os The Kills e Foo Fighters, os The Cult assinaram um concerto que resultou junto do público com um alinhamento obrigatório do qual constaram temas como "Love" (1985), "Electric" (1987) , "Sonic Temple" e "Sweet Soul Sister", entre outros.

Ian Astbury, o vocalista e líder dos The Cult, ainda tentou uma interacção mais forte com o público, entoando um "campeones", evocando um tributo ao Campeonato Europeu de futebol ganho pelos portugueses em 2016, mas rapidamente virou a página, dizendo mesmo que neste dia não havia lugar para o futebol no NOS Alive. De facto, a noite não era mesmo do desporto-rei porque o rei da noite era mesmo o Rock, a quem os The Cult abriram as portas.

O público tardou em acordar, mesmo depois de muito "puxado” pelo líder da banda que chegou mesmo a questionar se todo o mundo estava "com a moca”, frisando que nós, os portugueses, "temos boas leis sobre drogas”, uma derradeira provocação de Astbury antes de avançar para “Love Removel Machine”, o último tema da noite desta banda britânica.

A noite prosseguia e o público já dificilmente arredava pé do recinto em frente ao NOS Stage, aguardando pacientemente pela chegada dos Foo Fighteres. Antes, porém, houve ainda que receber os The Kills, a banda de garage rock formada pela norte-americana Alison Mosshart e o britânico Jamie Hince, a quem a grandeza do espaço e do próprio palco parece ter intimidado. A voz quente de Alison Mosshart terá mesmo perdido um pouco daquilo que poderia ter sido ali um grande concerto, ficando a ideia de estar mais destinada a sua música a ambientes mais intimistas. E se os The Kills até poderiam ter aquecido o público, a verdade é que os pingos de chuva que se fizeram sentir acabaram por impedir que o público pudesse “ferver” como os The Kills mereciam.

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A programação do NOS Alive aproximava-se neste segundo dia do seu ponto alto, com os Foo Fighters prontos para entrarem em palco enquanto outros nomes preenchiam a noite em Algés. Os norte-americanos Local Natives animavam o Palco Heineken enquanto que quase em frente, no Palco Comédia, Nilton permitia algumas gargalhadas a um espaço dedicado ao “stand up comedy” que este ano voltou a revelar-se uma aposta verdadeiramente ganha no NOS Alive.

Às 00h10, porém, com uma pontualidade que marcou sempre esta 11ª edição do festival organizado pela Everything Is New, chegou finalmente o momento mais aguardado da noite, com a voz potente e forte de Dave Grohl a gritar um arrepiante: “Are u ready”?

Depois de enfrentarem uma tempestade no país vizinho (Espanha) que os reteve mesmo no aeroporto de Barajas, a eles e a milhares de passageiros que ali ficaram retidos durante horas, pela passagem de chuvas e ventos fortes que mantiveram os aviões no solo, a viagem até Lisboa aconteceu mesmo e os Foo Fighters lá aterraram no Palco NOS, para satisfação dos milhares de fãs que os aguardavam impacientemente.

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Dave Grohl tem 48 anos, transpira energia, força e alegria, e confirma as suas qualidades de comunicador de excelência para com o seu público, tanto nas palavras como no sorriso. Dave não deixa ninguém indiferente e muito menos quieto, assumindo-se como um berrador profissional. E se na primeira hora de concerto tardou até agarrar o público, a verdade é que acabou por conseguir ter na mão os 55 mil festivaleiros que encheram neste segundo dia o recinto do NOS Alive.

A química que se desenvolveu com a plateia foi divertida e bonita, e quando o público lhe lançou um desafio com o clássico “E salta Dave, e salta Dave, olé, olé”... ele respondeu acompanhando a sonoridade do público com um improvisso de guitarra. Dirigindo-se ao público, confirmou o agrado sentido por aquele som que, disse, pode mesmo vir a resultar num novo tema da banda, mesmo pedindo desculpa por não entender o que lhe estava a ser pedido pelos fãs. Rapidamente aquele lhe explicou que a ordem era para que saltasse e o improviso prosseguiu, agora com os saltos a acompanharem a música.

“Campeões, campeões, nós somos campeões” e até mesmo “a Portuguesa”, o hino nacional que uma vez mais não foi entendido por Dave Grohl, foram temas que o público entoou e os membros dos Foo Fighters conseguiram acompanhar, improvisando nos seus instrumentos o que Dave Grohl disse serem “hit songs”. O concerto ia já com duas horas e meia de duração e por esta altura o público estava disposto a estar por ali a noite toda, num concerto em que não havia já uma banda e o público mas antes uma enorme união entre ambos. Dave Grohl, continuava a puxar pelo público e deixou mesmo o que disse ser uma certeza: “Enquanto vocês tiverem voz, eu tenho voz. Sabem que eu posso ficar a gritar toda a noite?”

Com duas horas e meio em que os Foo Fighters vencenram e convenceram, foi possível ouvir temas como “All My Life”, “Times Like These”, “Walk”, “The Pretender” e “Learn to Fly”, tudo isto numa actuação em que, pelo meio, houve ainda tempo para ter em palco a presença de Alison Mosshart, dos Kills, que entoou um dueto quase boca a boca, evidenciando a forte química entre os protagonistas.

No final, os Foo Fighters deixaram a promessa de poderem regressar em breve a Portugal, e pelo que pudemos verificar no Passeio Marítimo de Algés ficou a certeza de que também o público irá aguardar esse mesmo regresso com enorme expectativa. Nós, sem dúvida, estaremos de novo prontos a recebê-los.

reportagem: Ana Cristina Augusto e Jorge Reis

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