Palco Heineken ao rubro na abertura do NOS Alive

Palco Heineken ao rubro na abertura do NOS Alive

Ryan Adams ou Royal Blood foram expoentes máximos da qualidade no Palco Heineken naquele que foi o primeiro dia do NOS Alive

NOS-Alive-80O palco Heineken é desde há muitos anos um poço de boa música alternativa, de artistas que se tentam catapultar para o estrelato, de um conjunto de bandas que acaba sempre por nos surpreender positivamente. O primeiro dia de festival deste ano confirmou esta tendência constante, fazendo acontecer concertos memoráveis como os de Ryan Adams ou Royal Blood, isto para darmos conta apenas de alguns exemplos. Num festival em que os grandes nomes avançam para o “NOS Stage”, os festivaleiros mostram-se atentos ao que se passa nos restantes seis palcos por onde passa a celebração da festa da música nestes três dias no Passeio Marítimo de Algés.

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No arranque desta 11ª edição do NOS Alive e no que diz respeito ao palco Heineken, a tarde começou com concertos curtos, mas de boa qualidade, com os pouco conhecidos Veintiuno, nuestros hermanos do outro lado da fronteira, e Gelpi, também nossos irmãos do Brasil. A esta hora da tarde, ainda o recinto estava longe de ver o número total de pessoas que acolheu quando a noite se mostrou cerrada, mas no Heineken vários foram os que, abdicando da tradicional corrida aos stands, se esparramaram sobre a “relva artificial” disfrutando simultaneamente da música e da cerveja patrocinadora deste mesmo espaço.

Depois de ouvir, no palco EDP Fado Café, o início da bela prestação de Mário Pacheco, nome maior do fado aos comandos da guitarra portuguesa, Rhye, já chamava por nós no palco mais verde do festival. Ao regressar junto da multidão que se acumulou repentinamente na plateia deparámo-nos com uma voz feminina da soul, pensávamos nós, não tivéssemos sido completamente enganados pela voz quente, de registo alto, de Mike Milosh. No palco, o duo que se completa com o produtor dinamarquês Robin Hannibal, fez-se acompanhar por outros 4 artistas. O ensemble de cordas completou belíssimamente o espírito soul já bem entranhado na música do grupo, levando a criar aquele que foi o concerto com a melhor sunset vibe do dia.

Sol posto, entraram em palco os Blossoms, banda britânica que ingressou no panorama musical ainda há bem pouco tempo, com um disco homónimo. Tom Ogden, Charlie Salt, Josh Dewhurst, Joe Donovan e Myles Kellock trouxeram um som fresco, afastado do pop comercial, que ajudou a manter o bom ambiente deste espaço tão querido do festival. Pela hora de encerramento deste concerto, ali perto, no palco EDP Fado Café, Miguel Araújo dava um concerto de casa cheia, onde a grande multidão, entregou-se de coração cantando todos os seus êxitos duma ponta à outra.

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Não desviando a atenção do palco Heineken por muito tempo, depois de uma curta volta pelo recinto, repentinamente ouvimos Ryan Adams iniciar o seu concerto. O artista encontrava-se envolvido pelo maior aparato de memorabilia que pudemos ver durante o primeiro dia do festival: um tigre de peluche, antigos televisores e ecrãs CRT, e ainda uma panóplia grande de amplificadores de todos os tamanhos e feitios, alguns dos quais exclusivamente a completar o cenário.

O norte-americano garantiu um horário privilegiado de casa cheia, aguentando-se em palco durante mais tempo que algumas bandas que passaram pelo palco principal. “When the stars go blue” do albúm “Gold”, um dos originais que mais o celebrizou ao longo da sua carreira que conta com já 16 álbuns de estúdio, foi rapidamente reconhecida pelos fãs que acompanharam com palmas ao ritmo da música. No meio da audiência encontrámos muitos estrangeiros que se abanavam ao som dos clássicos gritando “Isto é puro e bom rock and roll americano, mesmo aqui!”, mostrando-se satisfeitos com o rumo que o concerto levou.

Royal Blood entraram com grande garra num palco onde já um conjunto poderoso de luzes, que viria a salientar a eléctrica e vibrante performance do duo, estava encaixado no fundo do cenário que singelamente se completava com a bateria de Ben Thatcher e o amplificador e teclado do baixista Mike Kerr. A banda estava notoriamente rendida ao mar de gente que vibrava à sua frente a cada riff e alimentados pela energia que recebiam do público, de volta incentivavam uma interacção sem limites que levaram a cabo durante todo o concerto. Foi com um sorriso na cara, incrédulos do espectáculo que vimos ser criado pelas mãos de apenas dois homens, que nos dirigimos para a principal zona do recinto, chamados pelo canadiano The Weeknd que encabeçou o dia de festival.

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Já encerrado o espectáculo principal do dia, a multidão dividia-se entre o caminho para casa ou o largo corredor apertado que levava muitos de volta ao palco Heineken onde já tocava Bonobo (live). Este foi o concerto mais murcho da noite, onde a banda debitou uma electrónica despedida de letra e que pouca interacção criou com o público. Ainda assim, Bonobo não deixou de entregar  um concerto de grande qualidade instrumental, com maior incidência no magistral “Migration”, novo record do produtor inglês. Sem muito contacto com os fãs Bonobo, juntamente com a banda de que se fez acompanhar, retiraram-se de palco com grande profissionalismo, mas sem criar grande empatia com o público.

Com a chegada das 3 da manhã, última hora da noite, Glass Animals trouxeram “How To Be A Human Being” para fechar o primeiro dia de NOS alive, um álbum que canta peripécias reais que aconteceram na vida das várias pessoas que o vocalista, Dave Bayley, encontrou no caminho percorrido nos últimos anos. O mesmo, ainda nem o concerto ia a meio, já estava entregue à multidão, cantando com os fãs junto ao gradeamento que separa a plateia do palco. A electrónica subiu de intensidade noite fora, embalando cada um dos festivaleiros que se encaminhava para a saída que a custo se viram forçados a atravessar.

Deste dia, serão muitos os momentos dignos de relembrar, mas poucas são as palavras que conseguem descrever as várias emoções vividas esta quinta-feira junto ao palco Heineken.

reportagem: André Graça e Jorge Reis

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