Campo Pequeno abriu temporada tauromáquica

Campo Pequeno abriu temporada tauromáquica

Numa noite com Juan José Padilla, André Roca Rey e João Moura, Padilla saiu novamente pela Porta Grande da Praça de Lisboa

IMG 8549-copyO "Furacão" Padilha voltou a arrebatar o Campo Pequeno na corrida que abriu a temporada tauromáquica, com emoção e ovações a aquecerem ainda mais a noite lisboeta de 6 de Abril último .

PUB

Com um cartel de luxo, o Campo Pequeno, com lotação esgotada, esteve ao rubro numa noite quente em que o canal de Cultura do portal LusoNoticias esteve presente, acompanhando a comemoração dos 125 anos sobre a data de inauguração da Praça do Campo Pequeno, na história em 18 de Agosto de 1892. O público aficionado da capital aplaudiu Padilla, Andrés Roca Rey,  João Moura e os forcados do grupo de Amadores  de Vila Franca de Xira que estiveram em praça num festejo misto, com os touros de Vinhas (para a lide a cavalo) e Varela Crujo (na lide a pé).

A excelente Banda do Samouco teve a honra de estrear e interpretar um pasodoble, da autoria de António Labreca, um tema em homenagem a Padilha que leva o seu nome, escutado na praça momentos antes do inicio da lide do primeiro touro.

IMG 8752-copyIMG 8407-copyIMG 8770-copyIMG 8461-copy

João Moura, o mais veterano dos cavaleiros no activo, inaugurou a temporada lisboeta com um "Vinhas", o primeiro touro de 520 quilos. Moura brindou a sua primeira atuação aos seus alternantes de cartel mas nem tudo lhe correu bem. Antes da cravagem do segundo comprido a sua montada escorregou, caindo e provocando um momento de maior tensão na praça felizmente ultrapassado sem que nada de mais grave tivesse acontecido. Tudo o resto prosseguiu com grande profissionalismo, numa noite em que João Moura brilhou na brega e nos ferros cravados, merecendo no final uma agradecimento apaludida com entusiamo e de pé.

Vestindo traje vermelho sangue e ouro, o matador de toiros espanhol Juan José Padilla esteve extraordinário nos dois toiros que lidou, em especial no primeiro do seu lote, um toiro de bandeira da ganadaria alentejana de Varela Crujo. O "ciclone" de Jerez de La Frontera entregou-se de corpo e alma com plena "entrega", a palavra perfeita que descreve Padilla onde quer que esteja, em qualquer praça.

IMG 8431-copyIMG 8547-copyIMG 8607-copyIMG 9181-copy

Assinando duas faenas, estas ficaram "para mais tarde recordar", para a história das passagens de Padilla pela capital portuguesa, quer pelo domínio dos toiros e pela diversidade de respostas por parte do matador espanhol, com largas afaroladas de joelhos, ele que de capote andou variado, com séries de toureio em redondo, pela direita e de muito bom nível.

O seu  brinde ao "Maestro" Vitor Mendes foi um dos momentos muito interessantes da noite e uma vez mais aplaudido de pé.

O público assistiu, deleitou-se e retribuiu com as maiores ovações da noite e com toda a alma. Voltas e mais voltas para Padilla a propósito de quem pode discutir-se o estilo, mas de quem tem que se reconhecer o conceito o estilo que, sem qualquer dúvida, reúne o carinho do público.

No final, Padilla voltou a deixar a praça lisboeta como um toureiro grato ao Campo Pequeno, merecendo por inteiro os aplausos e a saída pela Porta Grande.

IMG 8416-copyIMG 8700-copyIMG 8728-copyIMG 8731

Para Andrés Roca Rey estava reservado o terceiro touro (Varela Crujo - 525 quilos). Vestido de lilás e dourado, o jovem matador peruano regressou a Portugal e actuou ao som de "Virgem de Macarena", ele que foi obrigado pelos médicos a um período de repouso absoluto para se recompor da contusão sacro lombar como consequência da violenta colhida que sofreu há alguns anos em Andújar. Em pleno, brilhou e deliciou o público com uma faena cheia de pormenores de maior relevância com o seu capote. Sendo certo que ambos os touros que lidou deram sinais de serem escassos em força, porque não transmitiram e não investiram na muleta do toureiro. Contudo, apreciou-se o valor e a técnica deste jovem que já é, por mérito próprio, um dos nomes mais sonantes da tauromaquia portuguesa.

Aos Forcados de Vila Franca de Xira, que este ano comemoram o seu 85º aniversário, coube a realização de duas excelentes pegas ainda que apenas à segunda tentativa, por intermédio dos cabos Ricardo Costa e Rui Godinho. Excelentes aplausos de pé a ambos!

No fim, e em jeito de balanço, fica o registo de um serão repleto de grandes emoções, de ovações, de brilho e de grande satisfação e encanto por parte de toda uma plateia rendida à arte da tauromaquia, um excelente serão que a icónica Praça do Campo Pequeno pôde oferecer uma vez mais aos aficionados da Festa Brava.

texto: Célia Lavareda
fotos: Glória Resende

IMG 8925-copyIMG 8980-copyIMG 9123-copyIMG 8960-copy

Share

Copyright © 2012 LusoSaber - Todos os direitos reservados.