Cock Robin propôs viagem de nostalgia

Cock Robin propôs viagem de nostalgia

No palco do Coliseu dos Recreios, a banda de Peter Kingsbery quis transportar o público em uma noite de memórias dos anos 80

CockRobin-TS-01A icónica e lindíssima sala dos Coliseu dos Recreios recebeu no passado dia 9 de Março os Cock Robin, uma das bandas pop-rock mais populares da década de 1980 . De regresso esteve também a voz irresistível de Peter Kingsbery e os êxitos que marcaram uma geração e voltaram a encantar o público português.

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Falar de Cock Robin (nome de pássaro chamado “pisco” ou “tordo americano”) é lembrar os anos 80. Aqui, no entanto, é mais do que isso, lembrando música e sons de qualidade que foram revistos no palco do Coliseu. Com um cenário minimalista proporcionado por holofotes, imagens simples e o som de três instrumentais, dois teclados e uma bateria,  o Coliseu fez assim uma homenagem à década de 80.

Originário de Los Angeles, na Califórnia, o grupo surgiu em 1983, composto pelo vocalista, compositor e baixista Peter Kingsberry, a cantora Anna Lacazio,  o guitarrista Clive Wright e o baterista Louis Molino III, tendo este grupo percorrido uma carreira de algum modo curta, tendo produzido apenas três albuns. Mais tarde, já em 1987, o grupo apresentou-se então como um duo, formado por Peter Kingsberry e Anna Lacazio.

Posteriormente, Peter Kingsberry enveredou por uma carreira a solo, tendo gravado quatro albuns, nomeadamente "A Different Man" em 19991, "Once in a Million" em 1994, "Pretty Ballerina em 1997 e "Mon Inconnue World" em 2002. Anna Lacazio, cofundadora dos Cock Robin, acabou por abandonar o grupo em Maio de 2015, depois de Peter Kingsbery ter decidido mudar-se para França, pensando-se naquela altura que o projeto, que no final dos anos 80 já tinha sobrevivido à passagem de quarteto a duo, prometia a curto prazo encerrar a sua história. Contudo, Peter Kingsbery reinventou-se, preparou um novo disco e teve a felicidade (ou não) de ver aparecer em cena francesa Coralie Vuillemin, alguém que tem uma prestação graciosa mas com pouca chama própria, sem conseguir fazer esquecer Lacazio.

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Foi com esta nova composição que surgiram em Lisboa os Cock Robin que, no palco do Coliseu, começou por despertar o público português ao segundo tema da noite, "When Your Heart is Weak", levando ao aparecimento das palmas, dos braços no ar e até mesmo aqui e ali de algum "pézinho de dança". Depois deste tema esperava-se que a garra mantivesse a animação lá em cima, mas a verdade é que com os temas "Janice", "Straighter Line" e "Bells of Freedom", o público reagiu bem mais pacificamente e sem grande entusiasmo.

Foi assim preciso que Peter Kingsbery agarrasse a sua guitarra acústica para que os fãs pudessem vibrar ao som de "Just Around The Corner". Um “set” acústico e outras melodias permitiram os aplausos e no final a oferta por parte de Kingsbery da palheta da sua guitarra a um fã que exibia a bandeira americana, resultava como uma retribuição a alguém que tinha vibrado a cada gesto e canção do seu ídolo.

Ao longo de toda a sua actuação, Peter Kingsbery demonstrou muita simpatia e empatia com o público, criando várias trocas de palavras com a audiência e em particular com o público feminino, deliciado pelo seu charme e estilo muito peculiares. Depois de alguns temas do álbum "Chinese Driver", lançado em 2016, o alinhamento do espectáculo levou os Cock Robin por temas menos populares como "Quicksand", "Caught In Your Stream" e "I Don't Want To Save The World", aqui com “sons eletrónicos” que, claramente, não foram tão bem recebidos pelo público.

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À beira do fim do espectáculo, a sala cheia do Coliseu levantou-se, dançou, cantou em uníssono, vibrou e, por esta altura sim, viveu a alma e o ritmo das tão desejadas melodias "Thought You Were On My Side", e "The Promise You Made", cantado melodias que o passar das décadas não apagou.

Os três elementos da banda, encantados com Lisboa, agradecem e saem no meio de aplausos e de um Coliseu de pé que, não satisfeito, pede mais. Peter Kingsberry regressa então sozinho ao palco e, agora ao piano, finaliza com "Ligne de Change", colocando um ponto final a uma noite quente, um espetáculo geracional em que o poder e a doçura da nostalgia foram sem dúvida marcantes.

Para muitos daqueles que ali passaram na noite de 9 de Março, num concerto de altos e baixos, em que os picos de emoção alternaram por "zonas cinzentas" permitidas por temas desconhecidos, será ainda assim caso para dizer que “se a sua vida tem uma música, ela esteve no Coliseu de Lisboa!”

texto: Glória Resende
fotos: Tito de Sousa

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