D.A.M.A. brilharam em noite quase perfeita
Hoje é Segunda-Feira, 27 de Fevereiro de 2017

D.A.M.A. brilharam em noite quase perfeita

O alinhamento foi pensado ao pormenor, os convidados estiveram em total sintonia e o público foi dedicado e entusiasta

JC 53152A noite da passada sexta-feira, 21 de Outubro, ficará na memória para os três jovens músicos que em 2006 formaram os D.A.M.A. — Miguel Cristovinho, Miguel Coimbra e Francisco Pereira (Kasha) —, mas também para os muitos milhares de jovens, alguns de muito tenra idade (mesmo muito tenra), que tal como os seus ídolos em palco estiveram pela primeira vez "a sério" no MEO Arena, um pavilhão cheio para ouvir (e cantar) música em português num concerto de uma banda que provou, para quem não acreditasse (e nós entrámos neste concerto ainda com dúvidas), que têm uma energia ímpar em palco com a capacidade de manter o público em actividade contínua ao longo de mais de duas horas A noite foi mesmo quase perfeita e apenas um som deficiente nos primeiros temas deixou uma mancha que era perfeitamente evitável.

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É certo que os D.A.M.A. tiveram ajudas de grande qualidade, nomeadamente Sebastião Antunes, Diogo Piçarra e, principalmente, Gabriel o Pensador, também ele um "animal de palco", mas saber escolher as companhias também faz parte da qualidade dos artistas que avançam para grandes empreitadas como um concerto em uma das maiores e mais emblemáticas salas de espectáculo actualmente em Portugal como é o MEO Arena.

O resultado deste concerto foi sem dúvida plenamente positivo, e aqueles que entraram sem grande entusiasmo, porventura "obrigados" até a estar ali "a reboque" de filhos, sobrinhos e afins, até esses acabaram por se render à energia que a partir do palco principal, mas também de um palco colocado no centro da Arena, contaminou todos os que ali se encontravam. É claro que os mais novos entre o público deram uma ajuda ímpar à explosão de energia, e a determinada altura ninguém era capaz de se manter sentado ou sem bater o pé no chão, surgindo a música como o elo de ligação entre todos, independentemente da idade ou género.

Antes mesmo do arranque do espectáculo, quem passeasse pelo Parque das Nações facilmente percebia o que se iria passar. Grupos de miúdos, muitos deles antes mesmo de poderem ser apelidados de "teenagers", cantavam a plenos pulmões as músicas dos D.A.M.A., arrancando sorrisos aos pais mas também a quem passasse naquela zona oriental de Lisboa. Depois, já dentro do MEO Arena, a impaciência aumentava de tom, com os mais miúdos a perguntarem a cada instante a mesma coisa ao adulto do lado: "falta muito!?"

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Muitos, porventura mais de metade daqueles que acabaram por encher o MEO Arena, nem se aperceberam que por lá passou outra banda para a entrada do concerto, os “Skills And The Bunny Crew”, aqui retratados nas primeiras quatro imagens pequenas em cima, banda pouco mais nova do que os D.A.M.A. (criada em 2008) que acabou por passar despercebida (ou quase) apesar do seu agradável hip-hop. Afinal, as atenções estavam inteiramente viradas para a banda dos três jovens que partiram um dia do Colégio São João de Brito para uma carreira que surge mais do que nunca promissora a conseguir muito mais do que outros com muitos mais anos de estrada.

Dois minutos antes das 22h00, os primeiros acordes de "Sinto" acordavam os mais pequenos a quem o sono teimava em querer vencer. À beira do final, aliás, acabaríamos por ver alguns dos mais pequenos a ser carregados no colo pelos seus pais já incapazes de se manterem acordados mas mesmo para esses a noite tinha já sido ganha. Voltando ao arranque deste concerto, "Calma" e "Agora é tarde” mantiveram as energias lá bem no topo até ao primeiro momento de interacção dos D.A.M.A. com os seus fãs. “Obrigado por terem vindo nesta noite tão especial”, ouviu-se, avançando a música com “Dá-me um segundo”.

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Braços no ar, palmas, gritos, aplausos, telemóveis com os flashes acesos, tudo servia para aplaudir esta banda que mostrava enorme força em palco num espectáculo muito bem pensado. Como não há bela sem senão, ficou por perceber o motivo pelo qual, numa sala como o MEO Arena, o som começou tão mal, imperceptível mesmo, valendo à banda em palco o facto dos seus fãs conhecerem as músicas de cor e serem tudo menos exigentes em matéria de concertos. A qualidade do som, essa, só chegaria com a entrada do segundo terço do espectáculo.

Era por esta altura tempo para apresentar o primeiro convidado, Sebastião Antunes, apresentado como "um grande compositor português", ele que foi o autor de "Balada do desajeitado", canção que a banda interpreta no disco de estreia. Sozinho em palco, soltou os acordes de "Eu não sei o que é que te hei de dar" e rapidamente teve o acompanhamento da plateia entusiasmada por conhecer mais um tema de cor. A banda anfitriã apresnetava agora os seus convidados e chegava com esse estatuto Diogo Piçarra, agora no meio da plateia, ao piano, para acompanhar Miguel Cristovinho em "Por quem não esqueci", música dos Sétima Legião que ali entrou a preceito que nem uma luva. "Mentira" e "Não dá" foram temas que levaram a plateia ao rubro, em momentos de enorme cumplicidade.

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Quem pensasse por esta altura que já tinha assistido aos momentos mais elevados de energia e espectáculo estava bem enganado já que por esta altura preparava a entrada em palco Gabriel o Pensador, ele que já havia acompanhado os D.A.M.A. no no Rock in Rio e que voltou agora para uma perfeita sintonia com o público português. O seu rap com rimas atiradas a preceito prendeu o público que aplaudiu de modo ímpar a interpretação conjunta de "Não faço questão", tema que funde os conceitos distintos dos D.A.M.A. e deste seu convidado.

O concerto aproximava-se agora do final, mas houve ainda tempo para um encore com “Era eu”, no final de uma noite que marcou o início de um mundo novo para esta banda de três jovens que terá entrado a partir daqui na maioridade em palco, mas também um mundo novo para muitos dos que puderam acompanhar no MEO Arena um concerto pleno de energia e música de qualidade em português. Para os D.A.M.A., e depois desta passagem pela maior sala de espectáculos nacional com o sucesso desta noite, a fasquia está agora particularmente alta ficando a expectativa em relação ao que aí poderá vir. Pela nossa parte vamos aguardar com expectativa!

texto: Jorge Reis
fotos: Jorge T. Carmona

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