"Raquel" no CCB após oito anos de espera
Hoje é Segunda-Feira, 21 de Agosto de 2017

"Raquel" no CCB após oito anos de espera

Com o Centro Cultural de Belém transformado numa agradável casa de fados, Raquel Tavares brilhou na apresentação do disco com o seu nome

DSC04434Foi no passado dia 20 de Maio que Raquel Tavares foi recebida com grande entusiasmo no Grande Auditório do CCB, onde apresentou o seu mais recente disco, "Raquel", esperado durante oito anos . Já passava das nove horas da noite quando as luzes se desligaram. A sala, completamente cheia e com o som ambiente preenchido pelas conversas que sempre acontecem antes de qualquer espectáculo, foi aos poucos encontrando silêncio, para permitir que, com o acender de uma luz ao fundo do palco, serem escutadas pequenas notas cintilantes de uma guitarra portuguesa. Ao início nem se percebia de quem se tratava pois o fumo que povoava o palco não permitia que mais se soubesse, mas à medida que a música se ia compondo e o fumo dissipando foi possível ver um corpo elegante e suave a erguer uma guitarra portuguesa tão conhecida entre nós.

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Assim que se tornou claro que se tratava de Raquel Tavares, a sala foi "preenchida" por uma poderosa saudação. Era perceptível a satisfação com que cada um presenciava aquele momento na entrada em cena da fadista, oito anos decorridos desde o seu ultimo trabalho, Bairro, lançado em 2008 e do qual voltaria nesta noite a interpretar “Ardinita”. Sem nada dizer, abriu a noite com "Fama de Alfama" e "Eu já não sei", do seu último trabalho, para depois da energia inicial dirigir umas palavras à plateia. Bastante emocionada e sem palavras para descrever o que sentia, como referiu — "Raras são as vezes em que me faltam as palavras, e quem me conhece sabe" —, agradeceu a todos por estarem presentes e agradeceu a todos por tornarem aquele momento possível.

Raquel Tavares, que ao longo da sua vida mais recente sentiu por diversas vezes que "não era o cavalo certo em que apostar", referiu que esperara aquele momento por cinco anos e que agora ali presente se encontrava a fazer o que queria.

Com uma voz poderosa, muitos foram os momentos em que o seu fado percorreu a espinha de quem a ouvia, que continha a respiração numa ansiedade constante por ouvi-la cantar. "Limão", "O rapaz da camisola verde" e "Deste-me um beijo e vivi", foram alguns dos temas do seu novo álbum que apresentou ao longo da noite, mas foi com o “Meu amor de longe” que recebeu o acompanhamento da plateia.

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Com 31 anos de idade, 26 a cantar e 14 a percorrer as casas de fado, é longa a lista de fadistas que a acompanharam e continuam a acompanhar na sua caminhada e formação. Alguns ainda entre nós, como Maria da Fé, e outros que Raquel relembra com saudade, como Fernando Maurício e Beatriz da Conceição, a quem dedica este seu recente album. O seu carinho foi também sentido quando, a cantar “Meu corpo”, conseguiu de uma forma tão bonita transparecer o seu sentimento.

Emocionada mais uma vez, Raquel Tavares retirou-se do palco e deixou que André Dias, na guitarra portuguesa, Bernardo Viana, na guitarra e Daniel Pinto, presenteassem o público com um bonito momento musical.

Depois de passar por diversos países europeus, mas também pelo Uruguai, Argentina, Brasil, Canadá, China e, mais recentemente, Austrália, não faltaram na apresentação também os temas “Gostar de quem gosta de nós”, de Tiago Bettencourt, “Não me esperes de volta”, de António Zambujo e “Regras da sensatez”, de Rui Veloso que no álbum a acompanha. Para além destes temas, presentes no disco "Raquel", a fadista relembrou alguns momentos importantes da sua vida, quando era miúda e cantava "Fui ao baile" e mais tarde em adulta "Senhora do Livramento".

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Também no espectáculo foi possível escutar Raquel como se o CCB de uma casa de fado se tratasse. Depois de se despedir e voltar ao palco para o encore, despojou-se de microfone e dirigiu se para a frente do palco com os músicos que a acompanharam. De uma forma lenta e gradual começou a cantar “Que estranha forma de vida”. Nenhuma outra reacção era esperada e entre aplausos, agora dados de pé, umas vozes gritavam o seu nome e Raquel sorria feliz por ali estar e pelo desenrolar do espectáculo.

A apresentação ficou certamente marcada pela boa disposição, energia e gratidão de Raquel, pela felicidade de quem a escutava e pelos seu agradecimentos, que se tornaram de todos ao seu manager João Pedro Ruela e aos produtores de "Raquel", Fred Pinto Ferreira e Tiago Bettencourt.

texto: Teresa Nicolau
fotos: Bruno Marta

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