O urso só adormeceu...
Hoje é Segunda-Feira, 27 de Fevereiro de 2017

O urso só adormeceu...

O apoio à Ucrânia é para a América uma ferramenta útil no jogo global contra a Rússia

ucrania5A Ucrânia está a pôr a descoberto uma realidade pelo menos quádrupla a que continuamos a assobiar para o lado .

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1- A Europa não existe enquanto realidade política, é um conjunto de regiões/países com interesses diversos e que, pelo menos alguns (Portugal aqui tem contado pouco), os defendem.

A City, a necessidade de abastecimento de gás, a robustez da NATO, são valores muito mais importantes para cada um dos actores, em proporções diversas, do que uma mirífica posição comum.

2 - O pós 1989 ficou tremendamente mal resolvido, numa configuração de fronteiras que ainda se mantém de geometria variável, e em que as ambições imperiais da Rússia regressam à superfície, mesmo depois de durante décadas disfarçadas por uma guerra fria e uma URSS que as corporizou um pouco. O urso só adormeceu, está lá como sempre esteve.

3 - Vamos ter que rever toda a nossa concepção geopolítica, num mundo em que Ocidente está a deixar de ser um conceito relevante, dando o palco a actores como a Rússia e a China. Mesmo os USA, com uma série seguida de presidências acima de tudo incompetentes a não ser para defender os interesses de curto prazo das indústrias que os elegeram, parecem cada vez mais um náufrago a tentar encontrar bóias que teimam em escapar. A Alemanha, o berço de todos os bárbaros que sempre foram um dos pólos dos conflitos no território europeu, está com ambições em alta. E o xadrez conta com peças improváveis, como uma Grécia empurrada para alianças estranhas. Sem esquecer a Turquia. 

4- Alguma Europa da antigamente dita ocidental e os USA estão definitivamente em lados opostos da barricada, embora o discurso tente tapar o sol com a peneira. O apoio à Ucrânia é para a América uma ferramenta útil no jogo global contra a Rússia, alguns Europeus pensam mais no gás. Mas é engraçado reparar que todos os grandes princípios que suportaram intervenções no Iraque, no Egipto, na Líbia, na Síria sejam aqui completamente esquecidos.

Para os mais esquecidos refiro que foram ambições territoriais semelhantes a estas da Rússia por parte da Alemanha nazi que foram a ignição da II Grande Guerra. Parece-me ser esta neste momento a maior ameaça ao nosso modo de vida.

Estou pessimista.

DiogoACorreia

Diogo A. Correia

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